Novembro de 2026 · Intenção do mês

Sacerdotes sinal de esperança no mundo

Carta de Abertura de novembro — pelos sacerdotes, sinal de esperança no mundo. Uma reflexão sobre a esperança cristã diante da morte, à luz da Spe Salvi de Bento XVI, com o testemunho de São Damião de Molokai, São Maximiliano Maria Kolbe e do Venerável Cardeal Van Thuan, e o convite a rezar pelos sacerdotes vivos e falecidos, sob a intercessão de Santo André Dung-Lac e companheiros.

Padroeiro do mês

Santo André Dung-Lac e companheiros, mártires

Carta de abertura

Ao Povo de Deus e a todos os homens de boa vontade,

Neste mês de novembro, rezamos pelos sacerdotes, para que sejam sinal de esperança no mundo.

Começamos o mês com dois dias que nos apontam o nosso destino. No dia primeiro, a Igreja celebra Todos os Santos, os que já alcançaram a vida eterna; no dia dois, reza por todos os fiéis defuntos. Não fomos criados para a morte, mas para a vida com Deus, que fez o homem para a incorruptibilidade (cf. Sb 2,23). A morte entrou no mundo pelo pecado, mas Cristo a venceu com a sua ressurreição, e por isso São Paulo pode perguntar: "Ó morte, onde está a tua vitória?" (1Cor 15,55). Unidos a Ele, esperamos alcançar a bem-aventurança eterna, certos de que nada, nem a morte nem a vida, poderá nos separar do amor de Deus (cf. Rm 8,38-39). Diante da morte, a Igreja responde com esperança. Aos tessalonicenses, o Apóstolo escreve: "Irmãos, não queremos que ignoreis o que se refere aos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança" (1Ts 4,13). O cristão não desconhece a dor da separação. O que o distingue, ensina Bento XVI, é saber que a sua vida não acaba no vazio (cf. Spe Salvi, 2): ela está escondida com Cristo em Deus (cf. Cl 3,3).

Essa esperança, porém, tornou-se distante para muitas pessoas em nosso tempo. Bento XVI observou que a crise atual da fé é, sobretudo, uma crise da esperança cristã (cf. Spe Salvi, 17). Quando a vida eterna com Deus deixa de ser o fim para o qual vivemos, tudo se estreita ao que se pode alcançar neste mundo, e as pequenas esperanças, como o sucesso, o conforto e o reconhecimento, logo se mostram insuficientes para sustentar uma existência inteira (cf. Spe Salvi, 30-31). Nunca estivemos tão conectados pelo uso da tecnologia e, no entanto, a solidão e a falta de sentido pesam sobre tantas pessoas; o próprio Papa notou que, nas últimas décadas, os sofrimentos psíquicos aumentaram (cf. Spe Salvi, 36). Fala-se pouco da morte, e quando ela chega encontra muitos sem palavras e sem consolo para atravessá-la. Onde Deus é esquecido, adverte Bento XVI, o homem fica privado de esperança (cf. Spe Salvi, 23). A essa ferida não se responde com uma ideia, mas com uma presença, a presença de Deus. Santo Agostinho confessava que suas fraquezas eram muitas e grandes, mas maior era o poder da medicina de Deus (cf. Spe Salvi, 29). Essa medicina é Cristo, Redentor do homem, e o sacerdote é o ministro pelo qual a graça dos sacramentos chega até cada um de nós.

Quando a morte se aproxima de um dos nossos familiares, conhecidos ou amigos, é o sacerdote que chamamos para ouvi-lo em confissão, dar-lhe a Unção dos Enfermos e o Viático, encomendar o seu corpo e oferecer por ele a Santa Missa. Ele está presente nas horas em que as palavras humanas se esgotam, e a sua presença anuncia que a morte não tem a última palavra. Na encíclica sobre a esperança cristã, Bento XVI escreveu que as verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que souberam viver com retidão: "Elas são luzes de esperança" (Spe Salvi, 49). Cristo é a luz do mundo (cf. Jo 8,12); os santos refletem a sua luz e nos ajudam a encontrar o caminho até Ele. Contemplemos, então, três sacerdotes que foram esse sinal em meio à lepra, ao extermínio e ao cárcere, em épocas e lugares diferentes: São Damião de Molokai, São Maximiliano Maria Kolbe e o Venerável Cardeal Francisco Xavier Nguyen Van Thuan.

No século XIX, o reino do Havaí recolhia em todas as ilhas os doentes de lepra, então tida como incurável, separava-os de suas famílias e os expulsava para a península de Kalaupapa, na ilha de Molokai, que muitos chamavam de ilha maldita. Em 1873, eram cerca de setecentas pessoas com lepra, e Kalaupapa era para elas um lugar aonde se ia para morrer. Os doentes viviam, nas palavras de Bento XVI, abandonados por todos. O bispo Louis Maigret sabia que os doentes precisavam de sacerdotes, mas não quis impor a ninguém essa missão, que podia custar a vida; pediu voluntários, e quatro se ofereceram para revezar-se. O primeiro a partir foi o padre Damião de Veuster, missionário belga da Congregação dos Sagrados Corações, que chegou em 10 de maio de 1873 e, a pedido seu e dos próprios doentes, ali permaneceu. Cuidou das feridas, ajudou os doentes a construir suas casas, ampliou a pequena igreja de Santa Filomena, ministrou os sacramentos e cavou sepulturas, para que ninguém morresse sem assistência nem fosse enterrado sem oração. Contraiu a doença e, como o mesmo Papa recordou ao canonizá-lo, viveu os últimos quatro anos como um leproso entre os leprosos. Até a morte, em 15 de abril de 1889, aos quarenta e nove anos, testemunhou por palavras e obras que Deus não havia esquecido aqueles doentes.

Em 1941, o padre franciscano Maximiliano Maria Kolbe era prisioneiro em Auschwitz. Depois da fuga de um detento, o comando do campo escolheu dez homens para morrer de fome num bunker. Um deles, Franciszek Gajowniczek, lamentou-se porque deixaria a esposa e os filhos. O padre Kolbe deu um passo à frente e pediu para morrer em seu lugar. Durante duas semanas, no bunker da fome, rezou e cantou hinos com os condenados e acompanhou-os, um a um, até a morte. Em 14 de agosto, véspera da Assunção, sendo o último ainda com vida, foi morto com uma injeção letal. O Papa São João Paulo II canonizou-o em 1982 como mártir da caridade, e Franciszek estava presente na cerimônia. No campo construído para matar, um sacerdote fez da cela de confinamento um lugar de oração e esperança.

Em 24 de abril de 1975, poucos dias antes da queda de Saigon, o Papa São Paulo VI nomeou o bispo Francisco Xavier Nguyen Van Thuan arcebispo coadjutor da cidade. O novo governo viu na nomeação uma conspiração e, por isso, o prendeu em 15 de agosto, festa da Assunção. Passou treze anos encarcerado, sem julgamento, nove deles em isolamento. Os fiéis conseguiram fazer-lhe chegar algumas hóstias e um pouco de vinho, enviado como remédio para o estômago, e ele celebrava a Missa, como contou depois, com três gotas de vinho e uma gota de água na palma da mão. No campo de reeducação, dormia num leito comum com outros prisioneiros, em grupos de cinquenta. Depois que as luzes se apagavam, celebrava de memória e passava a Comunhão aos católicos por baixo dos mosquiteiros. Com papel de maços de cigarro, faziam pequenos invólucros para guardar o Santíssimo Sacramento, que os companheiros levavam às escondidas a outros grupos, e à noite revezavam-se na adoração. Muitos recuperaram o fervor da fé, e alguns que não eram cristãos se converteram. Também aos guardas tratou com bondade, e alguns deles, tocados pelo seu exemplo, abraçaram a fé. Bento XVI escreveu que, nesses anos, o poder escutar e falar a Deus tornou-se para ele "uma força crescente de esperança" (Spe Salvi, 32). Libertado em 21 de novembro de 1988, foi chamado pelo Papa São João Paulo II a pregar os Exercícios Espirituais da Cúria Romana no Grande Jubileu de 2000 e escolheu como tema "Testemunhas da esperança". Morreu em Roma em 2002 e foi declarado Venerável em 2017.

Nenhum desses sacerdotes pôde mudar o lugar em que se encontrava: a península do isolamento, o bunker da fome, o cárcere. Mas, dentro desses lugares, não deixaram de ser sacerdotes. Celebraram, absolveram, rezaram e cuidaram dos que morriam, e por isso foram sinal de esperança. A esperança cristã não é a expectativa de que tudo correrá bem, mas a certeza de que Cristo venceu a morte e nos espera. O sacerdote torna visível essa esperança porque, configurado a Cristo pelo sacramento da Ordem, é o instrumento pelo qual Deus continua a libertar, curar e salvar. Quando absolve, reabre ao pecador o caminho da graça; quando unge o enfermo, une a sua dor à Paixão do Senhor; quando celebra a Eucaristia, oferece aos fiéis o penhor da glória futura. O mundo precisa de sacerdotes assim, e os sacerdotes precisam de quem reze por eles, para que reavivem o dom de Deus que receberam pela imposição das mãos (cf. 2Tm 1,6) e levem o Evangelho e os sacramentos a tantos corações que perderam a esperança.

No dia 24 de novembro, a Igreja celebra Santo André Dung-Lac e companheiros, mártires do Vietnã, a mesma terra de onde viria, mais de um século depois, o Cardeal Van Thuan. Entre eles está o sacerdote São Paulo Lê Bao Tinh, morto em 1857. Numa carta escrita na prisão, que Bento XVI cita na sua encíclica, ele descreve as correntes, os tormentos e o desprezo que sofria, e conclui que, no meio da tempestade, lançava a âncora até o trono de Deus: a esperança viva que estava no seu coração (cf. Spe Salvi, 37). É a âncora que sustentou Damião, Maximiliano e Van Thuan, e que sustenta hoje, longe dos olhos do mundo, tantos sacerdotes fiéis.

O dia de Finados nos lembra que o amor não se interrompe com a morte. Bento XVI ensina que a nossa oração pelos defuntos pode ser uma pequena etapa da sua purificação, e que "nunca é tarde demais para tocar o coração do outro, nem é jamais inútil" (Spe Salvi, 48). Por isso, neste mês, rezemos pelos sacerdotes falecidos, por aqueles que nos batizaram, que nos deram a primeira absolvição e a primeira Comunhão, que abençoaram o nosso matrimônio ou celebraram as exéquias dos nossos familiares. Eles foram, para nós, sinal de esperança, e agora somos nós que podemos oferecer por eles a Missa e a oração constante. Rezemos também pelo Papa Leão XIV, sucessor de Pedro; pelos bispos, que receberam a plenitude do sacramento da Ordem; e pelos sacerdotes das nossas paróquias e comunidades, para que permaneçam fiéis e a ninguém falte quem lhe leve os sacramentos.

Como padroeiros e intercessores deste mês, temos Santo André Dung-Lac e companheiros, a quem confiamos as nossas orações pelos sacerdotes e pelas vocações. Rezemos:

Divino Redentor, que na vossa inesgotável misericórdia sustentastes o sacerdote André Dung-Lac e seus companheiros com a vossa graça para viverem o martírio. Tendo sido obrigados a pisar a cruz para renunciar à fé, preferiram a morte a negar-vos.
Pela intercessão destes santos, concedei aos vossos sacerdotes a graça para que vivam com fidelidade e coragem o ministério ordenado, e que o amor que eles têm por vós os leve a apascentar o vosso rebanho e a ser, sempre e em toda parte, sinal vivo de esperança no mundo. Senhor, vede como é grande a multidão dos que vivem ainda sem esperança; concedei à Igreja de hoje e de amanhã o dom de numerosas e santas vocações sacerdotais.
Livrai os sacerdotes falecidos das penas devidas aos seus pecados e concedei-lhes a recompensa dos servos fiéis, para que possam contemplar a vossa face no céu. Amém.

Neste mês de novembro, convido todos a oferecerem a Santa Missa e a Comunhão pelos sacerdotes falecidos, e a visitarem um cemitério rezando por eles. De 1º a 8 de novembro, a Igreja concede a indulgência plenária, aplicável somente às almas do purgatório, a quem visita o cemitério e reza pelos defuntos, cumpridas as condições habituais. Rezemos todos os dias a oração deste mês, junto ao Rosário, ao Terço da Misericórdia, à Liturgia das Horas, ou por si só, como cada um souber e puder. Escolhamos um sacerdote e, até o fim do mês, apresentemo-lo a Deus todos os dias, chamando-o pelo nome. Ofereçamos um sacrifício escondido, um jejum ou uma renúncia que ninguém veja, pelos sacerdotes que hoje atravessam o cansaço ou o desânimo. Que a Virgem Maria, a quem a Igreja saúda como estrela do mar e a quem Bento XVI chamou estrela da esperança, conduza os sacerdotes e todos nós até o porto onde nos esperam os santos.

Fraternalmente em Cristo,

Diácono Mario Cardoso

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Novembro de 2026

Oração do mês

Divino Redentor, que na vossa inesgotável misericórdia sustentastes o sacerdote André Dung-Lac e seus companheiros com a vossa graça para viverem o martírio. Tendo sido obrigados a pisar a cruz para renunciar à fé, preferiram a morte a negar-vos.
Pela intercessão destes santos, concedei aos vossos sacerdotes a graça para que vivam com fidelidade e coragem o ministério ordenado, e que o amor que eles têm por vós os leve a apascentar o vosso rebanho e a ser, sempre e em toda parte, sinal vivo de esperança no mundo. Senhor, vede como é grande a multidão dos que vivem ainda sem esperança; concedei à Igreja de hoje e de amanhã o dom de numerosas e santas vocações sacerdotais.
Livrai os sacerdotes falecidos das penas devidas aos seus pecados e concedei-lhes a recompensa dos servos fiéis, para que possam contemplar a vossa face no céu. Amém.

Amém.

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