Intenção — Setembro de 2026
Sacerdotes que perderam a alegria de viver o ministério ordenado
Carta de Abertura de setembro — pelos sacerdotes que perderam a alegria de viver o ministério ordenado. Uma reflexão sobre o chamado de São Mateus, a certeza da graça e a promessa de Cristo de nunca abandonar os seus.
Carta de Abertura
Ao Povo de Deus e a todos os homens de boa vontade,
Neste mês de setembro, rezamos pelos sacerdotes que perderam a alegria de viver o ministério ordenado.
De fora, ninguém imagina que o sacerdote que celebra a Santa Missa, ouve confissões, visita os doentes, atende a um chamado fora de hora e tem a agenda cheia de compromissos possa estar vivendo o seu ministério sem alegria. No decurso da vida, os acontecimentos do cotidiano foram ferindo-lhe a alma em silêncio, e o resultado é que a alegria do ministério já não se percebe viva, ou apenas agoniza. Não nos cabe, porém, julgar qual sacerdote perdeu a alegria; cabe-nos rezar por todos.
Alguns celebram os sacramentos como quem cumpre um horário da agenda. Outros vão adiando, encontrando razões, às vezes justas, para não celebrar. Carregam essa dor sem que ninguém saiba, e vale para eles o que a Escritura diz: "o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração" (1Sm 16,7).
Colocamos este mês sob a intercessão de São Mateus, apóstolo e evangelista, cuja Festa a Igreja celebra no dia 21, para que alcance de Deus as graças de que os sacerdotes precisam.
"Ao passar, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: 'Segue-me!' Ele se levantou e seguiu-o" (Mt 9,9). Comentando esta passagem do Evangelho, São Beda, o Venerável, escreve: "Viu-o não tanto com os olhos corporais quanto com a vista da íntima compaixão. Viu o publicano, dele se compadeceu e o escolheu" (Ofício das Leituras da Festa de São Mateus).
Mateus foi chamado não porque era digno, mas porque Jesus olhou para ele com misericórdia e o escolheu para viver uma missão que lhe era própria e única. Onde estava quando foi chamado? Sentado na coletoria, no ofício que lhe rendia o desprezo dos seus, que o tinham por pecador público e traidor. A escolha humana muitas vezes segue a lógica das aparências, dos interesses e preferências. Na ordem da graça não é assim. O Senhor tem a primazia, pois é Ele quem escolhe, e então aquele que é chamado responde ou não. Isso nos recorda que nenhum sacerdote foi ordenado por mérito próprio, e que não há como se sustentar por esforço humano, pois tudo é graça. No dia da imposição das mãos, a Igreja confirmou a escolha que Deus já havia feito.
Quando a alegria se vai, a certeza de que foi escolhido por Deus é a primeira coisa a ser posta em dúvida. O sacerdote pode ser levado a concluir que o problema está nele: que talvez nunca devesse ter sido chamado, que outros fariam melhor, que sua vida interior não corresponde ao que o ministério exige. As duas primeiras acusações não se sustentam: Deus o escolheu, a Igreja confirmou, e a missão que lhe deu é sua e de mais ninguém. Quanto à terceira, pode haver verdade nela, como pode haver em tantas outras misérias que ele conhece de si. Mateus também sabia das suas fraquezas e imperfeições. A consciência da própria indignidade não anula e muito menos diminui a grandeza do chamado. Ela apenas mostra de onde o chamado veio: de Deus.
Aqueles que estranharam ver Jesus à mesa com publicanos e pecadores ouviram dele: "Não são as pessoas com saúde que precisam de médico, mas as doentes" (Mt 9,12). E ele acrescentou: "não é a justos que vim chamar, mas a pecadores" (Mt 9,13). O seguimento não é e nunca será um prêmio para quem já está curado, mas o caminho no qual a cura vai acontecendo. Isto deixa claro que ninguém precisa recuperar a alegria para então voltar a seguir o Cristo Redentor.
A alegria cristã não depende de temperamento ou de entusiasmo. Também não vem de uma paróquia em crescimento, de um trabalho reconhecido, de uma comunidade agradecida. Ela é fruto do Espírito Santo: "o fruto do Espírito é amor, alegria, paz" (Gl 5,22). Fruto não se fabrica por esforço humano, é graça de Deus. Para isso é preciso pedir e esperar com confiança o tempo da graça, certos da promessa de Cristo: "quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem" (Lc 11,13).
Não nos esqueçamos da Eucaristia. O sacerdote que já não sente nada ao celebrar precisa recordar: a Missa que ele celebra não vale menos por aquilo que ele sente ou deixa de sentir. A Igreja ensina que a graça do sacramento não depende da santidade do ministro, mas de Cristo que age nele (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1128). Suas mãos consagram porque Cristo consagra. E o Corpo de Cristo que ele dá ao povo é também alimento para si mesmo. O beato Columba Marmion ensinava que na Comunhão não recebemos apenas um reflexo da bem-aventurança de Deus, mas o seu próprio Autor, com toda a plenitude de suas riquezas. Disto fica claro que a Eucaristia é fonte de alegria espiritual tanto para o sacerdote quanto para cada um de nós, pois nela se recebe aquele que é a própria bem-aventurança.
Cristo não prometeu aos seus discípulos uma vida sem dificuldades, nem paraíso na terra. Prometeu ficar com eles. As últimas palavras do Evangelho que Mateus escreveu são exatamente essas: "Eis que eu estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos" (Mt 28,20).
Peçamos a São Mateus que interceda por cada sacerdote e obtenha para eles a graça da cura e os frutos do Espírito Santo. Rezemos:
Divino Redentor, que na vossa inesgotável misericórdia escolhestes o publicano Mateus para torná-lo Apóstolo, volvei o vosso olhar compassivo para os vossos sacerdotes, sobretudo para os que perderam a alegria de viver o ministério. Livrai-os das tentações que os arrastam ao desânimo, à tristeza, à amargura, e fazei com que sintam novamente o amor e o ardor do chamado. Curai-os de tudo quanto os fere e renovai neles os dons do vosso Espírito Santo. Amém.
São Mateus, apóstolo e evangelista, rogai por nós.
Com generosidade, ofereçamos a Santa Missa e a Comunhão pelos sacerdotes. Rezemos todos os dias a oração deste mês — junto ao Rosário, ao Terço da Misericórdia, à Liturgia das Horas, ou sozinha, como cada um souber e puder. Escolhamos um sacerdote e o apresentemos a Deus, chamando-o pelo nome, até o fim de setembro. Ofereçamos um sacrifício escondido, um jejum ou uma renúncia que ninguém veja, por aqueles que hoje não sentem a alegria de viver o ministério.
Fraternalmente em Cristo,
Diácono Mario Cardoso
Oração do Mês
Divino Redentor, que na vossa inesgotável misericórdia escolhestes o publicano Mateus para torná-lo Apóstolo, volvei o vosso olhar compassivo para os vossos sacerdotes, sobretudo para os que perderam a alegria de viver o ministério. Livrai-os das tentações que os arrastam ao desânimo, à tristeza, à amargura, e fazei com que sintam novamente o amor e o ardor do chamado. Curai-os de tudo quanto os fere e renovai neles os dons do vosso Espírito Santo. Amém.